Viajar para os países vizinhos, Cone Sul, muitas vezes é mais barato do que viajar aqui pelo Brasil. Um dos fatores mais relevantes para decidir viajar de moto pelo Cone Sul é a segurança. Nos nossos vizinhos temos muito menos a cuidar com o bicho-homem do que com os bichos de quatro patas nas estradas.

            Após algumas viagens para Argentina, Chile e Uruguai tiramos algumas conclusões, que podem oferecer dicas valiosas, para auxiliar os companheiros motociclistas:

1ª – Dinheiro:

  • Leve sempre um cartão de crédito internacional para qualquer imprevisto.
  • Veja quantos dias vai ficar em cada país e leve em moeda local o equivalente de U$ 80 a U$ 100,00 dólares/dia. Para casais, como as despesas de hospedagem são divididas, a estimativa é de U$ 150,00/dia por casal. Estas estimativas são para combustíveis e hospedagens e restaurantes, tudo simples a médio conforto.
  • Separe o valor que você irá levar por estimativa de gasto por dia. Assim, no final do dia, você saberá se está gastando dentro do programado ou não.
  • Guarde o dinheiro em vários locais, distribuindo-o.

2ª – Documentos Pessoais:

  • É essencial levar o passaporte. Embora seja possível entrar nos países do Mercosul com carteira de identidade, sem o passaporte você perderá um longo tempo preenchendo fichas e mais fichas de ingresso e saída em cada posto de fronteira. Além disso, no seu passaporte vai ficar registrada a viagem e você vai se lembrar com carinho quando folheá-lo depois.
  • Leve também a carteira de identidade. Em alguns casos, pode ser necessária.
  • Não esqueça da carteira de saúde com registro de vacina da febre amarela.
  • Uma boa sugestão é fazer cópias plastificadas de todos os documentos (identidade, passaporte, carteira de motorista) e deixar com o companheiro de viagem. Assim, se acontece uma perda, fica mais fácil resolver os problemas.
  • Também faça um cartão com telefones de contato no Brasil. Deixe em sua roupa, na sua bagagem e também na moto.

3ª – Seguros:

  • Não esqueça dos seguros: seguro da moto em dia é essencial (leve cópia da apólice).
  • Carta Verde ou o seguro do país, seguro contra terceiros obrigatório nos países.
  • Também é importante ter um seguro pessoal (chamado de seguro viagem) com vigência nos países que você visitará. Este seguro é super importante: em caso de acidente cobre eventuais despesas hospitalares, de medicamentos e até retorno para o Brasil. Veja com o seu corretor de seguros as várias opções e as coberturas propostas.
  • Quem for para o Chile, não esqueça do seguro especial SOAPEX, exigido para veículos estrangeiros que entrarem naquele país.

4ª – Moto:

  • Certificado de trânsito (documento) do veículo.
  • Se a moto estiver em nome de terceiro é necessário levar autorização específica para conduzí-la no país que for visitar. Esse documento precisa ser feito em Cartório. Se necessário, peça-me o modelo!
  • Manual do veículo.
  • Chave reserva da moto e dos baús (deixar com seu parceiro de viagem a chave do baú onde ficarão as chaves reservas).
  • Calibrar os pneus com nitrogênio: isso reduz a temperatura interna dos pneus e diminui bastante o desgaste em viagens longas.

5ª – Ferramentas e materiais de reparo rápido:

  • Leve as ferramentas que puder, principalmente, verifique as que possibilitam a troca de um pneu furado.
  • Kit de reparo para pneu furado.
  • Carregador de bateria.
  • Fita tipo Silver Tape (essencial)
  • Presilha plástica tipo “enforca gato”.
  • Fita isolante.
  • Alguns metros de corda.
  • Cintas elásticas.
  • Uma manta térmica aluminizada (custa em torno de R$ 15,00), para proteção em situação de emergência em frio ou calor intenso.

6ª – Roupas:

  • Aqui é onde erramos mais. Temos a tendência de levar um monte de roupas que quase nunca usamos.
  • Leve o mínimo possível de roupa. Se faltar algo, certamente no lugar que você vai passar haverá para comprar.
  • Para uma viagem de 10 a 15 dias, estima-se em um mínimo de 8 cuecas, 2 meias, 1 calção, 1 bermuda, 1 sandália, 1 tênis, 5 camisas, 1 calça, 1 cinto, 2 blusas e 2 calças segunda pele.
  • Também é super importante uma luva para o frio. Lembre-se, você se protege do frio colocando mais camadas de roupa. Ou seja, várias camisas e blusas uma em cima da outra, que serão retiradas à medida que a temperatura aumentar.

7ª – Planejamento:

  • Uma viagem para fora do Brasil começa com a ideia.
  • Depois, normalmente se forma um grupo ou uma parceria, definindo-se os componentes da viagem.
  • Por fim, se faz o planejamento em conjunto.
  • Curta planejar a viagem, faça reuniões do que tem que ser organizado: reunião do roteiro; dos remédios; das ferramentas; dos documentos pessoais e da moto; das roupas, fazendo sempre um check-list para verificar se nenhum item foi esquecido.
  • Aproveite as reuniões de preparação para antever a viagem e estreitar os laços de amizade com os companheiros da viagem.

8ª – Parceria:

  • Cuidado, muito cuidado… somos irmãos de estrada mas em uma viagem longa as diferenças aparecem.
  • Por isso, deixe tudo bem claro. Quanto mais claro ficar cada ponto da viagem melhor.
  • É preciso combinar bem o tipo e valor médio das hospedagens e alimentação.
  • Também é preciso haver acordo sobre os tempos de parada para abastecimento e lanche, velocidade nas estradas e posição de cada um no deslocamento.
  • Uma conversa sobre os passeios a serem feitos ajuda a definir o que é do gosto de quem vai viajar.
  • É muito importante definir o que se fará caso aconteça algo (tipo quebrar uma moto). O parceiro segue viagem ou aguarda o reparo da moto do companheiro? Caso ele tenha que retornar ao Brasil, retorna junto?
  • Combine os horários de início e término da jornada, a cada dia. Um bom momento para fazer isso é no jantar, quando se aproveita para uma confraternização diária.
  • Muito importante: se ocorrer qualquer ponto de controvérsia na viagem, parem, olhem um para o outro e falem o que não gostaram, sejam claros sabendo que o mais importante não é falar e sim escutar e entender o parceiro da viagem e chegar a um denominador comum para prosseguir na viagem como irmãos da estrada. Não queira estar sempre certo. Muitas vezes o que consideramos correto vai nos levar para o caminho errado.

8ª – Respeito:

  • Respeite sempre os limites da sua moto e os seus limites físicos.
  • Em muitos lugares você estará contra a mãe natureza: respeite-a, analise com cuidado os desafios. Não vale a pena arriscar nossa vida em uma viagem. Vamos viver para contar as histórias desta e viver outras viagens!
  • Diante de condições muito adversas, pare, se proteja. Depois, siga seguro pela estrada…

9ª – Informações:

  • Procure saber tudo do lugar para onde você vai.
  • Fale com os motociclistas que já foram onde você vai. Cada dica é importante, não seja arrogante de achar que os outros não sabem nada.
  • Leve mapa de papel, gps, todas as informações, mas lembre-se, o melhor da viagem não é onde você vai, mas sim curtí-la em toda a sua extensão.

10ª – Garupa:

  • Se você vai viajar com a garupa, a viagem fica bem diferente.
  • Os tempos de parada, a tocada, hospedagens, locais de alimentação… tudo isso precisa ser previsto na programação, de modo que a garupa fique muito feliz com a viagem.
  • Não seja um machista e queira que a garupa faça tudo que você faz. Faça que a viagem seja dela. Como diz um dos grandes motociclistas que conheço, TUTI: “Em uma viagem de moto com a mulher temos que entender que o melhor da viagem é fazê-la feliz”.

11ª . Fotografias:

  • Pare e tire muitas fotos, principalmente nas placas dos lugares onde vai passar.
  • Mas sempre combine com o seu parceiro a forma de parada.
  • Faça amizade e fotografe os amigos feitos, pois o verdadeiro motociclista é aquele que entende que a moto nos oferece a verdadeira amizade da estrada!
  • Importante sincronizar todas as datas e horas das máquinas fotográficas, pois quando se junta as fotos é fácil de organizar.

12ª . Dica Importante:

  • Saia cedo dos hotéis e pare cedo. Pare no máximo às 16 h., tome um banho, durma um pouco, acorde, jante e vá com a moto para a praça da cidade. Tente sempre ficar em cidade pequena. Isso permitirá fazer muitas amizades com os motociclistas da região que passar, deixe as motos um pouco na frente do hotel para serem vistas. Cometi o erro de tocar até tarde, aí me hospedava, tomava um banho, jantava e aí o cansaço batia e dormia. Não fizemos procedendo assim quase nenhuma amizade. Além do que parar de tocar a moto cedo evita muitos transtornos que a noite atrai. Sempre antes de hospedar peça para ver a garagem e o quarto, pois é uma parte difícil.

 

            Bem, são apenas algumas dicas, fruto de experiências anteriores, que iremos detalhar mais durante a nossa próxima viagem à Argentina, que iniciarei em 06/01/2019 para a Argentina, juntamente com meu companheiro motociclista Sari.

MotociclismoSC – Ulisses José Ferreira Neto

Revisão do texto – Saripuára Henriques Lé Filho (Sari)

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